sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

AS MINHAS MANAS/ SÃO HEROÍNAS/ NOCTURNAS

I

São elas,
Belas,
Elegantes,
Atraentes,
Lá vão elas
À labuta,
À conquista
Do pão
De cada
Dia.

II

Levantam-se
Bem cedo
Ao raiar
Do dia,
Isto é,
Saem de noite
E só voltam à noite!

III

São heroínas
As minhas manas
Africanas,
Americanas
E tantas outras dignas
Desse nome,
Desse desse cognome.

IV

Mulheres,
Seres
Que nos deram
Ao mundo,
Participando
Na construção,
Na dignificação
Da condição
Humana,
Na dignidade
Da humanidade.

VI
Rendo
A Homenagem
A coragem
Das mulheres
Nas torres
De todo
O mundo.

VII

Nas manhãs
Friorentas,
Chuvosas,
Quentes,
Nebulosas,
Elas levantam-se
E correm à procura
Do primeiro autocarro
Que as levam
Até aos seus diversos locais de trabalho,
Não temendo tantos perigos que possam encontrar
Pelo caminho.

VIII
São heroínas
Como hienas
Nas matas densas
Africanas,
Americanas,
Asiáticas
Ou nas encostas
Europeias .

PV CITY(SEXTA-FEIRA), 23 DE DEZEMBRO DE 2011.

MATTOS (NDO)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DE QUINTA-FEIRA À QUINTA FEIRA

I

Escrever,
Sempre a escrever,
Para alguma coisa dizer;
Fazer
Os Outros ver,
O quanto este sujeito está a sofrer
No seu viver,
Mas nunca volver,
No seu querer
Como um ser
Que quer
Ser,
Ter
E, humildemente, viver
Como um ser
Qualquer!

II

Tanta amargura
Desta criatura
Nesta terra
De quentura,
Idêntica à minha Quínara,
Idêntica à minha Nova Sintra,
Idêntica a minha Évora,
Idêntica à minha Kantoma,
Idêntica à minha Bolama!

III
Duas quintas feiras
Consecutivas
Com avarias do carro,
Nos momentos em que não tenho dinheiro!

IV

Na semana passada,
Foi no túnel do Grilo!
Hoje,
Não tão longe,
Na escola EB2 Vasco da Gama!
O que me trama?
Que pesadelo
Na minha vida?!

V

Mas eu sou manganás(1),
Tudo de mal que me faz,
Ainda sou mais
Vivaz,
Capaz
De encontrar ainda mais
A paz!

VI

Não resigno,
Não desisto;
Em cada dia luto,
Porque sou africano,
E acredito
Num destino
Benigno,
Acredito no meu sonho
Risonho!

1) Manganás, arbusto na Guiné Bissau, que quanto mais o cortas, queimas, mais nasce, mais cresce e mais desenvolve.

PRIOR VELHO(5ª-FEIRA), 29 DE SETEMBRO DE 2011.

MATTOS( NDO)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NA PRAIA/ A ALEGRIA/ESTANDO ENVOLTO NA AREIA/


I

Lembro-me
Quando
Levava
A família
Toda para a praia!
Era momentos
De alegria!

II

Queria
Que toda a gente
Fosse feliz
E alegre!
Arranja sempre
Tempo
Para os meus filhos!
Queria
Que brincassem,
Que divertissem!...

III

Em Carcavelos
Com os meus sobrinhos
Desfrutando
O sol ardente
De Agosto,
O mar calmo
E sereno,
As ondas,
O prazer ,
O entretenimento,
A diversão
A diversão dos banhistas!
Aqui estou
Eu com os meus sobrinhos;,
Alguns vindos da França:
Marvin Soares e Herculano Júnior Soares;
Dider Coelho da Piedade- Lisboa
E Anício, neto da minha mulher Natty.

IV

Nesse dia quente
O dia sombrio,
O dia sem frio,
Ameno,
Idêntico
As brisas do oceano,
Eu, estando triste
E melancólico
Aproveito a diversão dos diversos banhistas
Para esquecer os meus graves
Problemas,
Diminuir o meu stress
E entrar na onda
Das ondas
Do mar ...!

CARCAVELOS(praia), 09 DE AGOSTO DE 2011.

MATTOS (NDO)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A BARBA /BRANCA /DO MEU BABA/ DA TRIBO MANJACA


I

Sereno
No seu sono,
Acomoda-se no destino
Que Deus
Quis reservá-lo
No solo
Lusitano,
Este menino
Africano.

II

Como o meu baba,
Deixo Crescer
A barba,
Para parecer
A do soba
Daquela tabanca
Da etnia manjaca,
Toda branca
E o cabelo idêntico
A de um manjaco.

III

Pensativo,
Apreensivo
Em relação
Aos problemas
Do seu povo,
Pega na sua caneta
E relata
O que lhe encanta
Da terra recôndita,
Que, há mais de cinquenta
Anos
O viu nascer
E crescer entre outros meninos.

IV

Hoje
Bem longe
Dessa
Maravilhosa
Terra,
Quínara,
A saudade
Despedaça
A força
Imensa
Da sua alma,
Sobretudo
Daquela outra cidade
Chamada Bolama,
Com o tronco
Do manjaco
De Pelundo,
A raiz
Onde toda a gente
Se sente
Feliz.

V

Escrevo
O que adoça
O meu espírito,
O que tranquiliza
A minha mente
De tanto
Aperto
Do meu peito,
Em cada momento
Que levo
E vivo
Tristemente!

VI

Escrevo
Para afugentar
As minhas mágoas,
As minhas tristezas.
No entanto, me atrevo
A cada dia
Que passa,
Lutar
Com mais ousadia,
Com mais força
Perante o cerco
Das Finanças,
Porque sou o filho manjaco.

PV CITY(4ª), 17 DE AGOSTO DE 2011~

MATTOS (NDO )


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ALILI LI/SUMA CATCHU/ NA MON DI MININUS!

I

Nas mãos daqueles que têm paixão,
Que têm coração,
Que têm compaixão,
Está o menino Ndo.

II

Fazem dele
O que querem,
O que entendem.

II
Não há
Voltas a dar,
Não há
Nenhuma alternativa.

IV

O prognóstico
Previamente
Reservado
Ao manjaco
Chamado
Ndo.

V

Deus
Quis
Que assim fosse
O meu destino,
O deste menino!

VI

Enquanto
Tiver
Folgo
E viver,
Folgo
No encanto,
No canto
Que a Providência
Me concede
Na vivência
Desta sociedade,
Desta humanidade.

VII

Os familiares
E amigos
Se afastaram,
Porque não encontraram
Benesses,
Nem regos
Em que pudessem trazer
Ou colher
Benefícios,
Ou negócios,
Nem tão pouco artifícios
E ofícios.

VIII
O mundo ruiu
Sobre o mundo
Que construiu,
O corolário
Do sacrifício
Levado durante
Muitos anos
No seu subconsciente
Por entre os oceanos!

IX

Tão pequenino
E insignificante,
Vai marchando
Pachorrentamente(paulatinamente)
Por entre brechas
E brechas
À procura
Do seu bem-estar,
Numa palavra,
À sua sobrevivência
Para suportar
A violência
Por entre os que restam
Dos que lhe amam.

X

O fim do mês
Que, de quando
Em vez,
Que vem surgindo,
Nada mais traz
Como a paz.

XI

O vinte e três
Vem e passa rapidamente
Sem me aperceber
Da sua chegada,
Da sua vinda
Alegre e pungente
Como já não sou um ser.

XII

É tudo
Estranho,
Quando nada fica
Do sonho
Da tribo manjaca,
Da geração "bantumbi"!
Nem sequer a barraca !

PRIOR VELHO(RUA DE MOÇAMBIQUE, LOTE 137- 2º DTº), O3 DE AGOSTO DE 2011-


MATTOS (NDO )

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Sensaçãoda Aversão

I

É esta fase da vida
Que a gente se sente
Se é amada
Ou simplesmente
Se é rejeitada
Por aqueles que estima
Por aqueles que ama.

II
O meu amor é tão grande
Que a todos os momentos
Me invade
E não me confunde
Nos vários assuntos
Que enchem a minha cabeça
Porque tenho sempre a mesma justiça.

III
Filho de um grande homem
Que actualmente
Nada tem
Mas que infelizmente
Não perde a coragem
De continuar a navegar
Em cada lugar
Mesmo sabendo
No fundo
Que já mais nada lhe resta
Para fazer festa.

IV

Tanto amava.
Tanto sonhava
Por tudo o que tinha.
E hoje tudo é-me estranha
A forma como o meu filho
Me vê e me trata.
Não passo de um embrulho
Que se pretende despanchar na valeta.

VI

Não sou um orgulho
Para o meu filho
Se calhar
Isto tem a ver com o meu falho
Ao longo da vida!
A razão por que todos me xingalhar(chingalhar)


PRIOR VELHO 28 DE JULHO DE 2011.

MATTOS ( NDO )

terça-feira, 19 de julho de 2011

A INTERACÇÃO ENTRE OS VIVOS E OS MORTOS

I

ESCREVER ASSUNTOS
RELACIONADOS COM OS MORTOS
NÃO DEVE SER ALGO FÁCIL,
POIS QUEM LÊ ALGO PARECIDO COM ISSO,
PODE PENSAR QUE O SEU AUTOR
É UM LOUCO VARRIDO,
ALGUÉM QUE TALVEZ ESTEJA
JÁ PERTO DESSE MUNDO.

II
É VERDADE,
POIS, ULTIMAMEMENTE,
TENHO ESTADO A SONHAR
MAIS COM OS MORTOS
DO QUE COM OS VIVOS,
ISTO É
COM AS PESSOAS QUE FAZIAM PARTE
INTEGRANTE
DO MEU MUNDO,
COMO POR EXEMPLO,
OS MEUS FAMILIARES,
AMIGOS E CONHECIDOS.

III
O MEU QUERIDO BABA,
O MEU PAPÁ,
FARÃ MATOS;
O MEU PRIMO,
AQUELE QUE ME EDUCOU,
AQUELE ME QUE CRIOU,
O EXCENTÍSSIMO SENHOR
JOAQUIM BATICÃ FERREIRA,
O RÉGULO DO CHÃO MANJACO,
EM CANCHUNGO;
A MINHA QUERIDA
"ESTE",
O MEU SOBRINHO
NELSON BATICÃ FERREIRA;
O MEU ANTIO
PATRÃO
NA cONSTRIÇÃO CIVIL,
O EXCELENTÍSSIMO
SENHOR ARMANDO SILVA
E TANTOS OUTROS
QUE TINHA SIDO
A MINHA INTIMIDADE.

IV
É A PURA VERDADE
O QUE HOJE
ESCREVO
E VOS TRANSMITO
ATRAVÉS DESTE MEIO.

V
EU NÃO SEI
O QUE ESTÁ PASSANDO
COMIGO
NESTE MOMENTO,
POIS, TENHO TIDO
SONHOS BASTANTE ESQUISITOS
E DESENCONTRADOS,
O QUE ME DEIXA BASTANTE PREOCUPADO
E BASTANTE APREENSIVO

VI

AQUI NA ESCOLA
QUE ESTOU
QUASE A DEIXAR,
A "ESPAN",
TIVE A ORGANIZAR
AS ACTIVIDADES LECTIVAS DESENVOLVIDAS
AO LONGO DO ANO LECTIVO,
A FIM DE AS DEIXAR
NO DOSSIÉ
DO GRUPO,
NUM ARMÁRIO PRÓPRIO
PARA O GRUPO 400- HISTÓRIA.

VII
EU, O VIVO
QUE SONHA COM OS MORTOS,
ESCREVO
OS MEUS PENSAMENTOS
RELACIONADOS
COM OS MEUS ANTEPASSADOS,
PORQUE
COM ELES
TINHA TIDO
BOA CONVIVÊNCIA
E, ESTANDO
NOUTRO MUNDO,
VOU CONTINUAR COM A REMINISCÊNCIA
DELES.

VIII

NO MUNDO
ONDE TUDO
SE ROLA
COMO UMA BOLA,
NINGUÉM SE RALA,
SE SE RESOLVER DEMONSTRAR
A MINHA COSTELA
CONSTRUIDA NA LALA
E QUE CONTINUA A REVELAR
A SUA AUTENTICIDADE,
A SUA ORIGINALIDADE.

VIII

A INGRATIDEZ
NA ORFANDADE,
É A EVIDÊNCIA
DA NOSSA NÃO SOLIDEZ
DA PERSONALIDADE
AO LONGO DA NOSSA VIDA
EM CADA
ÉPOCA VIVIDA.

IX

QUANDO
O TEMPO
APAGA
A NOSSA MEMÓRIA,
É QUANDO O NOSSO CORPO
É DEMOLIDO
PELA PRAGA
DA INCÚRIA
OU DA MISÉRIA.

X

O ESFORÇO
VINDO
DE QUANDO
ERA MOÇO,
É O RESULTADO
DO PAJEM-
-HOMEM,
QUE HABITA ESTA MARTGEM
SEM PARAGEM,
DEVIDO A CORAGEM.

ESCOLA SECUNDÁRA/3 PADRE ALBERTO NETO, 19 DE JULHO DE 2011.

MATTOS(NDO)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A BIRRA/ DA CRIATURA/ NA TERRA/



I
A terra
Que sempre vira
A criatura
A nascer,
Crescer,
A desenvolver,
Testemunha
O sonha.

II

A ambição às vezes
Desmensurada,
Conduz
A criatura
À loucura.

III

É como a birra
Duma criança
Logo à nascença.

IV
A criança,
O desejo
Ardente do progenitor,
É que cresça
Com amor,
Ternura,
Afeição
E compreensão
Entre os que a rodeiam,
Educando-a na plenitude
Da sua personalidade.

V

Em cada brincadeira,
Em cada actividade
Que realiza,
Se suavize o seu carácter
Como ser,
Pois ela é a flor
E o esplendor
Do futuro,
Para seja um ser íntegro.

O FILHO DO LAVRADOR/ É EDUCADOR/PROFESSOR

I

Nas margens
Do rio Cacheu,
Viviam uns homens
Que não sabiam fazer nada
Na vida,
Senão cortar chabéu
A chabéu;
Arar,
Lavrar
A terra,
Lavrar mancarra,
Lavrar milho
Para que cada filho
Não morra
De fome
Nem tão pouco vexame
Em nenhum lado
Do mundo.

II

O tempo
Mudou
E emigrou
À procura d,outro campo
Mais fértil
Para não ser vil
Na sua própria comunidade
E na sua sociedade.

III

Bolama
Chama
Aquele homem
Para outra aragem,
Para outro trunfo
Do seu próprio triunfo.

IV

Esse homem
Chamava-se semplesmente
Farã Mattos,
Filho de Khalifane
E de Belante.
Os dois deram origem
A um outro sujeito
Ávido de conhecimentos
Variados
E diversificados,
Chamado
"NDO",
"Kankambal
No dialecto tribal.

V

Hoje,
Bem longe
Da terra natal,
Esse filho está enfrentando
Uma situação quase fatal
E quase que desorientado:
Sem tecto
Nem manto,
Atirado
Ao sofrimento!

VI

A Câmara
De Loures
Tira
Muitos lares
À milhares
De familiares,
Provocando dores
E sofrimentos
À muitos
Sujeitos!

VII
A Câmara
De Loures
Empurra
Muitos residentes
Do Bairro
Da Quinta da Serra
Para o desespero
De muitos semelhantes,
Pois,priva-os dos direitos
Consignados
Na Constituição Portuguesa:
Os direitos
Relacionados
Com a habitação,
Uma forma de dignificação
Da pessoa humana:
O direito à habitação,
O direito
A um tecto!

VIII

Eu, filho de Bolama,
Sou a principal vítima
Do estigma,
Que constitui o drama
Que se tarnsforma
Em trauma
De cada africano
Ao atravessar o Oceano
Atlântico,
Sobretudo esse filho manjaco.

IX

A Câmara
De Loures
Me "chuta"
Para o PROHABITA
Provocando muitos sabores
E dores
A todos os meus familiares;
A Câmara
De Loures,
Me empurra
Para arredores,
Para lugares
Desconhecidos,
Tirando-me desses lares
Sujos e imundos,
Povoados
De ratos,
Gatos,
Mosquitos,
Insectos
Jamais vistos
Pelos sujeitos
Ditos
Cultos
E civilizados!

X

Quando
Se tomba,
É quando
Tudo
Acaba
E nada
Mais sobra
Da vida ,
Como também nada
Mais se lembra.

XII

As pessoas
Não sabem
Quando tu magoas
Alguém,
Ou alguém
Te magoa!
O que não soa
Bem
A(para) ninguém!

XIII
A Câmara
De Loures
Obriga-me a procurar,
A encontrar
Uma alternativa habitacional
Não importa o local;
Moderna, tradicional
Ou convencional,
Alegando
Que perdi o direito
A um tecto,
Perdi o direito
Ao PER!

ESPAN(6ª), 20 DE MAIO DE 2011.
MATTOS (NDO)