I
O sentimento geral,
De um pai em particular,
É que os filhos voem,
É que os filhos salvem,
É que os filhos se libertem,
Se soltem
E sejam senhores
Dos seus destinos,
Que sejam donos
Dos seus narizes,
Isto é,mesmo nos momentos de crises,
Sejam capazes.
II
Todos os dias,
Peço a Deus
Que os livre
De maus caminhos
Nos seus desempenhos!
III
Eu sonhava muito alto
No desenvolvimento
De cada rebento,
O que constitui o meu fruto,
Isto é, o produto
Do meu real e verdadeiro trabalho,
Isto é, no crescimento
De cada filho,
À razão principal por que batalho
E peço a Deus que cada um oiça o meu conselho.
IV
O meu simples e humilde conselho,
É que cada um oiça a palavra do velho,
Esse que está vivendo no Prior Velho,
Bairro onde pululam vários vícios:
A vadiagem, o banditismo,
A droga, o alcoolismo,
A prostituição,
Isto é,o sítio
Propício
A tudo o que é a aberração,
A tudo o que é anormal,
A tudo o que é desvitual.
V
A minha rica filha
Ao meu querido filho,
Peço-vos a moderação
E a ponderação
Sobre a vida,
Sobre a vossa caminhada!
VI
Não tenho nada
Para os meus filhos,
Mas queria que, pelo menos,
Que a minha palavra
Fosse ouvida
Por eles;
Que a minha palavra
Fosse seguida
Por eles;
Que seguissem
O meu conselho;
Que estudassem,
Que vencessem
E tivessem
Brilho
Na vida!
VII
Da ascensão
À queda
Não quero nada,
Senão a melhor situação
Daqueles que tanto amo;
Daqueles que que eu tanto estimo.
VIII
De todas as formas de luta,
De tanto que o sr. Ndo labuta,
Cada vez mais a vida
É-lhe ingrata,
Nada
De prenda!
Tudo é-lhe madrata,
Tudo lhe afasta
De tudo o que seja festa
Ou boda!
IX
Deixei a construção,
Porque ela foi sempre a minha preocupação,
Porque ela foi sempre a minha frustração,
Sendo a principal razão,
Da minha grande regressão!
X
Oh! Quando os outros riem
E brincam!
Oh! Quando os outros se divertem
E dançam!
Oh! Quando os outros comem
E bebem!
Oh! Como os outros se perdem
No grande amaranhado do deserto,
No grande desencanto,
Se preocupem!
Se definhem!
XI
Termina o ano lectivo,
Mas, nada de novo
Para a minha querida filha!
Nada de novo
Para o meu querido filho!
Tantos anos no mesmo ano
E(não) nada sei qual o destino
Tão maligno
Reservado à minha filha!
Três ou mais anos consecutivos
No mesmo ano,
Isto é, concluir o ensino
Secundário
Como os outros!
Todos os colegas já estão na faculdade
Ou já estão a concluir o ensino universitário,
E ela, ainda pesiste com a dificuldade de concluir o secundário!
O que vem a ser isso?
Eu acho, que isso,
Eu não o mereço,
Porque todos os dias,
Eu rezo
Para que Deus livre os meus filhos do fosso!
XII
De quem é a culpa
Aqui na Europa?
De tudo fiz
Para educar,
De tudo fiz
Para ensinar
Aos meus filhos para o sucesso,
Mas, só encontro o insucesso,
O fracasso!
O insucesso
Sou eu próprio?
Talvez sim,
Talvez não
Saiba os educar(educá-los)
Convenientemente;
Talvez não saiba ensinar
E mostrar
Aos meus filhos os caminhos,
Os meios, as vias para o sucesso!
XIII
O meu filho começou
Muito bem o ensino básico
Com notas muito elevadas!
Concluiu o 5º ano de escolaridade com notas excelentes!
Este ano lectivo de 2003/2004, foi um desastre , um desaire no António!
Desde o pimeiro até o terceiro período,o menino António tem vindo a deteriorar-se em termos de rendimento escolar.
Todos os professores gostavam dele
E este ano, todos se queixaram amargamente do seu comportamento
E, consequentemente,
Do rendimento escolar do menino ANTÓNIO!
O António tem tido mau comportamento não só na escola, como na casa do próprio pai.
XIV
O menino António
Concluiu o primeiro ciclo brilhantemente, porque porque ele teve a chance que a minha filha Neuzanda não teve, porque esteve nos mais conceituados colégios do país, desde os seus seis meses de idade ou menos.
Tenho que procurar o porquê da regressão por parte do menino António! O António, como a irmã, Neuzanda tem-me escondido os testes negativos recebidos na escola. A irmã enganou-me duranet muitos anos com o namorado no bairro. Um namorado que ela própria escreveu no seu diário, que não gosta(gostava)dela e só a quer na cama.
Onde estão os males? Donde vêm? Onde estão os vícios ou donde vieram? Está tudo perdido?
Acho que não e tenho que ter a esperança!
XV
Netos de Farã Mattos,
Binetos de Khalifane,
Não podem baixar as cabeças e os braços !
Têm que ter mais força,
Têm que ter mais a esperança
E pôr na mente,
Que tudo é possível
Desde que haja a vontade,
Desde que haja a perseverança,
Desde que haja a persistência!
XVI
Aos meus filhos,
Aos meus queridos filhos,
Espero que haja a luz
No fundo do túnel!
Amén! Amén! Amén!
PV CITY( SÁBADO), 31 DE JULHO DE 2004.
MATTOS (NDO)