sexta-feira, 20 de maio de 2011

A BIRRA/ DA CRIATURA/ NA TERRA/



I
A terra
Que sempre vira
A criatura
A nascer,
Crescer,
A desenvolver,
Testemunha
O sonha.

II

A ambição às vezes
Desmensurada,
Conduz
A criatura
À loucura.

III

É como a birra
Duma criança
Logo à nascença.

IV
A criança,
O desejo
Ardente do progenitor,
É que cresça
Com amor,
Ternura,
Afeição
E compreensão
Entre os que a rodeiam,
Educando-a na plenitude
Da sua personalidade.

V

Em cada brincadeira,
Em cada actividade
Que realiza,
Se suavize o seu carácter
Como ser,
Pois ela é a flor
E o esplendor
Do futuro,
Para seja um ser íntegro.

O FILHO DO LAVRADOR/ É EDUCADOR/PROFESSOR

I

Nas margens
Do rio Cacheu,
Viviam uns homens
Que não sabiam fazer nada
Na vida,
Senão cortar chabéu
A chabéu;
Arar,
Lavrar
A terra,
Lavrar mancarra,
Lavrar milho
Para que cada filho
Não morra
De fome
Nem tão pouco vexame
Em nenhum lado
Do mundo.

II

O tempo
Mudou
E emigrou
À procura d,outro campo
Mais fértil
Para não ser vil
Na sua própria comunidade
E na sua sociedade.

III

Bolama
Chama
Aquele homem
Para outra aragem,
Para outro trunfo
Do seu próprio triunfo.

IV

Esse homem
Chamava-se semplesmente
Farã Mattos,
Filho de Khalifane
E de Belante.
Os dois deram origem
A um outro sujeito
Ávido de conhecimentos
Variados
E diversificados,
Chamado
"NDO",
"Kankambal
No dialecto tribal.

V

Hoje,
Bem longe
Da terra natal,
Esse filho está enfrentando
Uma situação quase fatal
E quase que desorientado:
Sem tecto
Nem manto,
Atirado
Ao sofrimento!

VI

A Câmara
De Loures
Tira
Muitos lares
À milhares
De familiares,
Provocando dores
E sofrimentos
À muitos
Sujeitos!

VII
A Câmara
De Loures
Empurra
Muitos residentes
Do Bairro
Da Quinta da Serra
Para o desespero
De muitos semelhantes,
Pois,priva-os dos direitos
Consignados
Na Constituição Portuguesa:
Os direitos
Relacionados
Com a habitação,
Uma forma de dignificação
Da pessoa humana:
O direito à habitação,
O direito
A um tecto!

VIII

Eu, filho de Bolama,
Sou a principal vítima
Do estigma,
Que constitui o drama
Que se tarnsforma
Em trauma
De cada africano
Ao atravessar o Oceano
Atlântico,
Sobretudo esse filho manjaco.

IX

A Câmara
De Loures
Me "chuta"
Para o PROHABITA
Provocando muitos sabores
E dores
A todos os meus familiares;
A Câmara
De Loures,
Me empurra
Para arredores,
Para lugares
Desconhecidos,
Tirando-me desses lares
Sujos e imundos,
Povoados
De ratos,
Gatos,
Mosquitos,
Insectos
Jamais vistos
Pelos sujeitos
Ditos
Cultos
E civilizados!

X

Quando
Se tomba,
É quando
Tudo
Acaba
E nada
Mais sobra
Da vida ,
Como também nada
Mais se lembra.

XII

As pessoas
Não sabem
Quando tu magoas
Alguém,
Ou alguém
Te magoa!
O que não soa
Bem
A(para) ninguém!

XIII
A Câmara
De Loures
Obriga-me a procurar,
A encontrar
Uma alternativa habitacional
Não importa o local;
Moderna, tradicional
Ou convencional,
Alegando
Que perdi o direito
A um tecto,
Perdi o direito
Ao PER!

ESPAN(6ª), 20 DE MAIO DE 2011.
MATTOS (NDO)

O PESO DURO/ DE SER NEGRO/

quinta-feira, 29 de abril de 2010

BolamaI chama /aquele que ama

I

BOLAMA
CHAMA
QUELE QUE AMA
NO FUNDO DA SUA ALMA!

II

FARÃ MATOS
GEROU SANTOS
EM MATOS
DENSOS DE ARBUSTOS
E SEGUNDO OS CONTOS
JÁ REMOTOS,
CUMPRIU TODOS OS PRECEITOS
DA SUA COMUNIDADE,
DA SUA SOCIEDADE
E DEPOIS, PARTIU, COM MUITA SAUDADE
PARA UM OUTRO MUNDO DA FELICIDADE,
OUDA INFELICIDADE
E DA ETERNIDADE.

III

PREGADO
NO MUNDO
DO LODO,
O SENHOR NDO,
ESTÁ ACTUALMENTE DIVAGANDO
À DEMANDA DE UM MODO
MAIS MAIS JUSTO ,
MAIS RECTO,
MAIS CORRECTO
E MAIS BEM DEFENIDO.

IV

EM CADA MOMENTO,
EM CADA LUGAR,
EM CADA LOCAL,
PROCURO UM QUINTAL
MAIS FAMALIAR

V

ONDE EFECTIVAMENTE EXISTO
COMO UM SUJEITO
APTO
PARA RESPONDER O CHAMAMENTO
DA PROVIDÊNCIA
NA EXIGÊNCIA
DA NOSSA PRÓPRI
EXISTÊNCIA.

VI

NA ESPAN,
PROCUREI UM " DIVAN"
E SENTEI-ME ´DEFRONTE DE UMA MÁQUINA
QUE ME ENSINA
À PROCURAR A MINHA SINA
HUMANA
E DIVINA.

VII

NELA,
ESPREITO NA JANELA
E VEJO A ESTRELA
QUE ME ILUMINA
A FAINA
DIÚRNA
E NOCTURNA.

VIII

SOU UM PAJEM
AINDA VIRGEM,
APESAR DE JÁ SER UM HOMEM
QUE ESTÁ EM VIAGEM
SEM PARAGEM
PARA À OUTRA MARGEM
ENTRE O HOJE E O ONTEM
ONDE OS OUTROS SE DIVERTEM.

ESCOLA SEC/3 PADRE ALBERTO NETO, 29 DE ABRIL DE 2010

MATTOS (NDO)

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUANDO A SOLIDÃO DOMINA O CORAÇÃO DO CIDADÃO NDO

Na noite fria e chuvosa,
nenhuma conversa
se ouve de nenhum lado,
Apenas o eco do teclado
De um minúsculo computador
que tenta suavizar a dor
De um homem
Que já não sabe o que é viver
E apenas tenta sobreviver
Com ajuda de cada palavra,
Com ajuda de cada imagem
 Que adora e idolatra!

 II
Oh! Que sonho
sem caminho
Risonho
Que eu tenho
E, pelo qual, eu definho!
III
Quando a mana chegar
E me perguntar
Pelo mano,
Apenas abano
A cabeça
E nada respondo,

Evitando
De tudo
O que me entristeça
Sobre a minha própria raça!
IV
A noite
É mais forte
Do que o dia,
Porque este irradia
A sua luz
E não existe o capuz !
V
A noite é escura
E tudo empurra
Para a negrura,
Para a aventura
Para a maldade,
Para iniquidade
De cada individualidade!
VI
Eu não dou,
Porque não estou,
Nem sou
O que a noite atiçou,
O que a noite fabricou
E alimentou!
VI
Como queria
Ter alegria
No seio da minha família!
 Ter algo ou alguém
Que alivia
A melancolia
Deste homem,
Permitundo,
Facultando
A atenção,
A compreensão
E a união
como uma grande lição
Da nossa civilização!
VII
Oh! Como a festa
Arrasta
Àquele que não presta,
Nem tão pouco luta
Por algo justo,
Correcto
E perfeito
Para cada sujeito,
Para o seu semelhante
No seu embate!
VIII
O amor
Deve ser o teor
E o tema em cada lar
Em particular,
Para que haja a grande
Amizade,
Fraternidade
E solidariedade
Na sociedade!
IX
A criança
É  a lavanca
E a peça
Fundamental
Onde se entronca
A esperança
Mesmo daquele que vive
Numa barraca
Como eu,
Que chove
Torrencialmente,
Porque não tenho "chapéu "

P.CITY (SEXTA- FEIRA, 23H23M), 05 DE MARÇO DE 2010.


                                                                              MATTOS ( NDO )
                                   
Como eu e sem segurança

















                      

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BolamaI chama /aquele que ama

I
Quando anoitece,
A mim parece
Que algo acontece,
o que faz com que a minha face
Se entristece.
Assim,
Faço a prece
Para que não chegue ao fim,
E, de novo, tudo comece...
II
Bolama,
Terra que alguém ama,
Mas que a Natureza desarma
Para que não continue e desfrutar a chama
Que desde o nascimento usufruia
Com muita alegria,
Em harmonia
Com a sua família.
III
Tenho muita saudade
Da minha querida Bolama;
Tenho muita saudade
Da salubridade
Daquela bela cidade,
A antiga capital do país
Dos meus pais,
De Farã Matos e de Nhanha
E também minha,
Que se chama
Na actualidade
Guiné - Bissau.

IV

Oh! Que saudade,
Da minha mocidade,
Da minha ingenuidade!
lembro-me vagamente
Do curral,
Do quintal
De Quínara,
De Kantoma,
De Bodjol,
De Bolama,
Sob aquele ardente
E abrasador sol!

Escola Alberto Neto(Queluz- Belas) 08 de Fevereiro de 2010

MATTOS (NDO)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

SENHOR CRIADOR

SENHOR CRIADOR,
MEU PROTECTOR,
LEVAI-ME DE NOVO
PARA O MEU TERRENO,
PARA A MINHA TOCA,
À MINHA BARRACA!
I
Sou um homem
De e com a fé;
Acredito
Naquilo que eu sinto;
Tenho uma crença,
Tenho força
Da esperança ;
Rezo todos os dias
E peço a Deus
Que livre os meus filhos
De maus trilhos,
Dos meus caminhos,
De más companhias,
De maus vícios!

II

Hoje,
Bem longe
Do meu querido
Filho
Que completa
Os seus dezassete anos de vida!
Digo apenas:
Obrigado, meu Deus
Por tudo o que me deste!
A tua protecção,
É uma grande benção
Como pai-mãe!
III

O meu filho desobedece-me;
Já não cumpre as minhas ordens!
Está noutroS caminhos!
A todos os dias,
Meu Deus,
Peço-lhe,
Imploro-lhe
Que tire,
Que afaste
O meu filho
Do caminho
Do mal,
Do caminho do vício!

COVILHÃ, 14 DE FEVEREIRO DE 2009 (SÁ)

MATTOS (NDO )