segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O PESO DURO/DE SER NEGRO/

I

Logo de manhã,
Meio acordado,
Meio adormecido,
Lá vai o menino
"NDO",
Lutando
Com o seu destino
Tão maligno
E quase já em nada sonha!

II

Em direcção à Escola,
De Queluz,
DOnde a janela
Ainda se lhe abre,
Do casaco se cobre,
Munido do seu sabre
Da luz
E da sua mente
Ainda brilhante,
Vai dando algum contributo
A cada semelhante
Ainda na fase de desenvolvimento.

III
O que sofro
Como negro,
É do peso tão duro
Que carrego
Como castigo
De Deus,
Ou dos meus
Parentes
Espalhados pelos quatro continentes.

IV

Melhor dito,
O meu sofrimento
Terá a ver com o que tenho
Feito
Em cada momento,
Por cada caminho
Que percorro
Com erro?
V
O estigma
Do filho de Bolama,
Estará relacionado
Com a minha cor,
Com o meu suor,
Ou que Deus
Me teria destinado
De lés a lés?

VI

O meu refúgio,
E um benefício
Para o meu ofício,
Recusado o ócio
como o vício,
Como o contágio
Do prestígio
De cada ser como um génio?

VII
Sem afecto,
Sem tecto,
Tento
Em cada momento,
O rejuvenescimento
Moral,
Físico e intelectual.

VIII
A Câmara
De Loures
Ignora
Tantas dores
De vários familiares
Sem lares,
No que concerne à habitação,
Para não falar de alimentação!

IX
Eu, filho de Bolama,
Sou a principal vítima,
Àquele que a Câmara
Algema,
Empurra
Para fora!
"Chuta" para o lixo!
Atira
Para baixo
Sem pidade,
Nem humanidade!

X

A Câmara
Me "chuta"
Para Prohabita!
Tenho que encontrar,
Procurar
A alternativa habitacional
Em qualquer local;
Não importa
Como,nem aonde!
Só me saconde
Dali do Prior Velho!
Tenho que encontrar
O meu próprio trilho,
Eu que sou tão velho!

XI

Como se costuma dizer
Na minha terra, Bolama,
Seja o que Deus quiser!
Vou com a chama
Vindo de Kantoma,
Vindo de Pelundo,
Vindo
D



O AMOR AOS FILHOS

I Na caneta Que me encanta, A ferramenta Que me levanta, Que me ergue Do fosso Profundo, Escrevo Cada verso, Porque devo, Em homenagem Ao amor Aos meus filhos! II A eles, Que nada deixo Quando morrer, A minha palavra De honra, De ternura E de bravura, Por terem aturado Esta criança chamada Ndo, Esta criatura tão difícil e conturbada! III A vida, Feita De ninharias, De alegrias E de tristezas, Eu apregoo As esperanças, Mesmo nas incertezas Em cada desafio, Em cada batalha Que se trava No dia A dia Da nossa existência Humana. IV Perdoem Os meus crassos Erros Não intencionais E casuais. V Eu bem quis Educar-vos Coveniente E humanamente. Se falhei No que planeei, Peço-vos Que me perdoem. VI A intenção Era boa, Mas,as circunstâncias E as vicissitudes Foram outras. Não foram favoráveis, E, consequentemente, Falhei, Quedei! VII É a lei divina Na espera Humana, Que impera Em cada ação Do ser humano, De cada cidadão No seu quotidiano. VIII Amo os meus filhos No fundo Do meu coração. Eles fazem-me viver cada dia. IX A dor Passa, Quando falo, Quando escrevo Sobre os meus filhos. X Duka, Sammy, Lucy, Khally, Kelcy, Lually, Ruth, Helénio, Amo-vos Muito. Autocarro(de Odivelas ou do Prior Velho- 6ª-feira, às 15h30), 13 DE JANEIRO DE 2012 MATTOS (NDO)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

AS MINHAS MANAS/ SÃO HEROÍNAS/ NOCTURNAS

I

São elas,
Belas,
Elegantes,
Atraentes,
Lá vão elas
À labuta,
À conquista
Do pão
De cada
Dia.

II

Levantam-se
Bem cedo
Ao raiar
Do dia,
Isto é,
Saem de noite
E só voltam à noite!

III

São heroínas
As minhas manas
Africanas,
Americanas
E tantas outras dignas
Desse nome,
Desse desse cognome.

IV

Mulheres,
Seres
Que nos deram
Ao mundo,
Participando
Na construção,
Na dignificação
Da condição
Humana,
Na dignidade
Da humanidade.

VI
Rendo
A Homenagem
A coragem
Das mulheres
Nas torres
De todo
O mundo.

VII

Nas manhãs
Friorentas,
Chuvosas,
Quentes,
Nebulosas,
Elas levantam-se
E correm à procura
Do primeiro autocarro
Que as levam
Até aos seus diversos locais de trabalho,
Não temendo tantos perigos que possam encontrar
Pelo caminho.

VIII
São heroínas
Como hienas
Nas matas densas
Africanas,
Americanas,
Asiáticas
Ou nas encostas
Europeias .

PV CITY(SEXTA-FEIRA), 23 DE DEZEMBRO DE 2011.

MATTOS (NDO)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DE QUINTA-FEIRA À QUINTA FEIRA

I

Escrever,
Sempre a escrever,
Para alguma coisa dizer;
Fazer
Os Outros ver,
O quanto este sujeito está a sofrer
No seu viver,
Mas nunca volver,
No seu querer
Como um ser
Que quer
Ser,
Ter
E, humildemente, viver
Como um ser
Qualquer!

II

Tanta amargura
Desta criatura
Nesta terra
De quentura,
Idêntica à minha Quínara,
Idêntica à minha Nova Sintra,
Idêntica a minha Évora,
Idêntica à minha Kantoma,
Idêntica à minha Bolama!

III
Duas quintas feiras
Consecutivas
Com avarias do carro,
Nos momentos em que não tenho dinheiro!

IV

Na semana passada,
Foi no túnel do Grilo!
Hoje,
Não tão longe,
Na escola EB2 Vasco da Gama!
O que me trama?
Que pesadelo
Na minha vida?!

V

Mas eu sou manganás(1),
Tudo de mal que me faz,
Ainda sou mais
Vivaz,
Capaz
De encontrar ainda mais
A paz!

VI

Não resigno,
Não desisto;
Em cada dia luto,
Porque sou africano,
E acredito
Num destino
Benigno,
Acredito no meu sonho
Risonho!

1) Manganás, arbusto na Guiné Bissau, que quanto mais o cortas, queimas, mais nasce, mais cresce e mais desenvolve.

PRIOR VELHO(5ª-FEIRA), 29 DE SETEMBRO DE 2011.

MATTOS( NDO)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NA PRAIA/ A ALEGRIA/ESTANDO ENVOLTO NA AREIA/


I

Lembro-me
Quando
Levava
A família
Toda para a praia!
Era momentos
De alegria!

II

Queria
Que toda a gente
Fosse feliz
E alegre!
Arranja sempre
Tempo
Para os meus filhos!
Queria
Que brincassem,
Que divertissem!...

III

Em Carcavelos
Com os meus sobrinhos
Desfrutando
O sol ardente
De Agosto,
O mar calmo
E sereno,
As ondas,
O prazer ,
O entretenimento,
A diversão
A diversão dos banhistas!
Aqui estou
Eu com os meus sobrinhos;,
Alguns vindos da França:
Marvin Soares e Herculano Júnior Soares;
Dider Coelho da Piedade- Lisboa
E Anício, neto da minha mulher Natty.

IV

Nesse dia quente
O dia sombrio,
O dia sem frio,
Ameno,
Idêntico
As brisas do oceano,
Eu, estando triste
E melancólico
Aproveito a diversão dos diversos banhistas
Para esquecer os meus graves
Problemas,
Diminuir o meu stress
E entrar na onda
Das ondas
Do mar ...!

CARCAVELOS(praia), 09 DE AGOSTO DE 2011.

MATTOS (NDO)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A BARBA /BRANCA /DO MEU BABA/ DA TRIBO MANJACA


I

Sereno
No seu sono,
Acomoda-se no destino
Que Deus
Quis reservá-lo
No solo
Lusitano,
Este menino
Africano.

II

Como o meu baba,
Deixo Crescer
A barba,
Para parecer
A do soba
Daquela tabanca
Da etnia manjaca,
Toda branca
E o cabelo idêntico
A de um manjaco.

III

Pensativo,
Apreensivo
Em relação
Aos problemas
Do seu povo,
Pega na sua caneta
E relata
O que lhe encanta
Da terra recôndita,
Que, há mais de cinquenta
Anos
O viu nascer
E crescer entre outros meninos.

IV

Hoje
Bem longe
Dessa
Maravilhosa
Terra,
Quínara,
A saudade
Despedaça
A força
Imensa
Da sua alma,
Sobretudo
Daquela outra cidade
Chamada Bolama,
Com o tronco
Do manjaco
De Pelundo,
A raiz
Onde toda a gente
Se sente
Feliz.

V

Escrevo
O que adoça
O meu espírito,
O que tranquiliza
A minha mente
De tanto
Aperto
Do meu peito,
Em cada momento
Que levo
E vivo
Tristemente!

VI

Escrevo
Para afugentar
As minhas mágoas,
As minhas tristezas.
No entanto, me atrevo
A cada dia
Que passa,
Lutar
Com mais ousadia,
Com mais força
Perante o cerco
Das Finanças,
Porque sou o filho manjaco.

PV CITY(4ª), 17 DE AGOSTO DE 2011~

MATTOS (NDO )


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ALILI LI/SUMA CATCHU/ NA MON DI MININUS!

I

Nas mãos daqueles que têm paixão,
Que têm coração,
Que têm compaixão,
Está o menino Ndo.

II

Fazem dele
O que querem,
O que entendem.

II
Não há
Voltas a dar,
Não há
Nenhuma alternativa.

IV

O prognóstico
Previamente
Reservado
Ao manjaco
Chamado
Ndo.

V

Deus
Quis
Que assim fosse
O meu destino,
O deste menino!

VI

Enquanto
Tiver
Folgo
E viver,
Folgo
No encanto,
No canto
Que a Providência
Me concede
Na vivência
Desta sociedade,
Desta humanidade.

VII

Os familiares
E amigos
Se afastaram,
Porque não encontraram
Benesses,
Nem regos
Em que pudessem trazer
Ou colher
Benefícios,
Ou negócios,
Nem tão pouco artifícios
E ofícios.

VIII
O mundo ruiu
Sobre o mundo
Que construiu,
O corolário
Do sacrifício
Levado durante
Muitos anos
No seu subconsciente
Por entre os oceanos!

IX

Tão pequenino
E insignificante,
Vai marchando
Pachorrentamente(paulatinamente)
Por entre brechas
E brechas
À procura
Do seu bem-estar,
Numa palavra,
À sua sobrevivência
Para suportar
A violência
Por entre os que restam
Dos que lhe amam.

X

O fim do mês
Que, de quando
Em vez,
Que vem surgindo,
Nada mais traz
Como a paz.

XI

O vinte e três
Vem e passa rapidamente
Sem me aperceber
Da sua chegada,
Da sua vinda
Alegre e pungente
Como já não sou um ser.

XII

É tudo
Estranho,
Quando nada fica
Do sonho
Da tribo manjaca,
Da geração "bantumbi"!
Nem sequer a barraca !

PRIOR VELHO(RUA DE MOÇAMBIQUE, LOTE 137- 2º DTº), O3 DE AGOSTO DE 2011-


MATTOS (NDO )