segunda-feira, 15 de outubro de 2012
O MENINO/ AFRICANO/
I
Débil,
Carenciado,
Barrigudo,
Rosto frouxo,
Os olhos esbugalhados,
A boca sedenta,
O estômago faminto,
O africano
Desconhece
A luxúria,
Deconhece a diversão,
Deconhece o lazer,
Desconhece passatempos,
Desconhece o termo" férias".
II
Os pais apoquentados,
Preocupados
Com o dia de amanhã,
Orientam-se pelo nascer do sol,
Orientam-se pelo luar,
Orientam-se pelas marés,
Orientam-se pelo pôr do sol,
À procuram do sustento
Para cada tecto.
III
É pelo sol
Que chegam aos seus sossegos,
Quando as crianças ainda dormitam
Nas suas humildes casebres.
Levanta-se bem cedo,
O "homem grande" com o anzol
E vai ao encontro dos seus amigos.
Em conjunto caminham,
Pescam
E labutam
Nas matas, nas florestas silvestres,
Nas matas, nos campos agrestes
E florestas silvestres.
IV
Caçam animais de toda a espécie,
Caçam "chocas", perdizes e lebres,
Mesmo que haja muito intempérie,
Porque nunca se abdicam de serem homens livres.
V
No Huambo,
Em pleno cacimbo,
Onde se ouve amiudadamente
O gemir da criança inocente,
Criança abandonada,
Vexada
E humilhada.
LISBOA, 4 DE JUNHO DE 1997.
MATTOS (NDO)
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